segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Percepção de beleza

'Por muito tempo a beleza tem sido definida por esteriótipos limitados e sufocantes'. Decidida a reverter essa cultura da beleza e atingir um maior público, a Unilever, pela DOVE, lançou no ano passado uma campanha intitulada "beleza real", que vale a pena conferir:






No meu ponto de vista a empresa realizou com sucesso sua estratégia de marketing: tem uma real visão do público alvo, sintonizando-se com os seus sonhos e anseios íntimos. Além do que, deixa claro o que seu produto pode fazer - ainda que não faça nada! - para o consumidor. É ou não é? ou não é?

Segundo o prefácio do estudo (disponível no portal Dove) em 1913, 'o dicionário Webster definia a beleza como uma propriedade que agrada aos olhos, aos ouvidos, ao intelecto, à faculdade estética ou ao senso moral'. Esse conceito encolheu. A cultura americana, como totem maior da cultura mundial, estabeleceu uma linha de padrão de beleza sublime, que flerta exclusivamente com a forma e não de conteúdo. Com sede em Beverly Hills, 90210, o auto grau de perfeição não precisa ser necessariamente inteligível. A sublimidade, enquanto o prazer do belo elevado à última potência, também é objeto de discussão filosófica. O que existe entre o comum e o sublime?

Segundo o filósofo Kant, a beleza deriva tanto da positividade como da negatividade: a primeira é o fundamento do belo; a segunda, do sublime. O ser é belo, o não-ser é sublime. Enquanto o belo é um prazer positivo, o sublime é um prazer negativo, que deriva da contemplação de algo que, em princípio, provoca desprazer, sentimentos negativos. [Fonte]

Entender essa questão já é uma tarefa difícil. Tratar agora de filosofia aplicada, nem pensar. Vamos ficar nas divagações a respeito do tema que me veio à cuca depois de ler numa passagem de Aritmética, romance de Fernanda Young, com direito a grifo de marca-texto, sobre a sublimidade:

"Sempre quis ser sublime; uma pretensão fadada à frustação. Porque, conseguindo-se ou não, em nada será beneficiado. Ninguém quer conviver com a sublimidade - é o tipo de qualidade absoluta que exige serviçais, não convivas."

Penso que a beleza que interessa é aquela que preenche os requisitos do bom marketing: conhecer o alvo, criar uma sintonia com o desejo íntimo e 'se garantir' ainda que não perfeito, não sublime. Como canta Zeca Baleiro, 'no mundo velho e decadente que ainda não aprendeu a admirar a beleza', temos que lidar com a estúpida significância de refletir a 'beleza do erro do engano da imperfeição'.

Bruzudangas, bruzudangas!

2 comentários:

Sanmya disse...

e é por isso que eu continuo a música e digo : ' baby, vc não precisa d eum salão de beleza, há menos beleza num salão de beleza" =]
abraço!

F.T. disse...

A beleza esta nos olhos de quem a ve!