quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

É feio, mas tá na moda!

Não é de hoje que a música brasileira serve de estímulo para produções musicais internacionais. A sonoridade vivida aqui acaba se apresentando como uma influência marcante e boa opção quando da vontade de grupos, ou produtores, ou músicos, ou sei lá o que, de mesclar elementos exóticos ao seu som.

A bossa nova, ou como dizem os estrangeiros: "brazilian jazz", há tempos é reconhecida lá fora, inclusive nas vozes de interpretes internacionais. Bandas como o Nirvana admitiram a influência direta de discos tropicalistas em suas obras. Agora é a vez do funk carioca tomar a cena.

Ainda que indiferente à discussão a respeito da estética do funk carioca, ou do papel da "bundamusic" na construção da cultura popular, é inegável o fato de que o som de quartinho de empregada tem sido super bem aceito no exterior e muita gente que trabalha com música tem se apropriado do batidão pra acrescentar um swing ao seu som.


Um exemplo bem destacável, hoje em dia, é M.I.A, Maya Aurl, a cantora que nasceu no Sri Lanka, refugiou-se na Índia durante a guerra civil e radicou-se em Londres. A rapper nunca negou sua influência nos batidões do funk carioca. Ao contrário, seus produtores vêm garimpar batidões irreverentes do funk brasileiro para contagiar ainda mais o electrozão barra, marca da cantora. Inclusive, uma de suas músicas mais famosas, o rebolation "Buck Done GUn" foi sampleada dum batidão do DJ Malboro, que já declarou - a respeito da relação entre o funk carioca e a música eletrônica - o seguinte:



“Não entendo como um sujeito que ouve Peaches e Miss Kittin pode falar mal de Tati Quebra-Barraco"





Bruzudangas à parte, seja como for, pense o que pensarem a respeito, eu me apego ao resquício de ufanismo ao qual tenho direito quando descubro que um som - como esse da M.I.A, ainda que 'samba de gringo', é eleito pela RS americana como melhor álbum produzido no globo em 2007. É uma "farra internacional" com a ginga de malandro.

Fica aqui o vídeo de uma das faixas desse álbum que eu mais gosto, uma coisa funk-trash-oitentão, "Pois é" (Boyz):


;p

Um comentário:

Rêmulo Caminha disse...

amiguinho,

isso chega a te inspirar algum tipo de ufanismo?

mai,
o que ela pega emprestado é só a casca mal passada de um ianomami disfarçado de curdos baianos na travessia de Moisés

um abraço

Rêmulo Caminha

ps: e deixa de frescura, e autoriza o anônimo aqui! tá ótimo, viu? gostei!