segunda-feira, 19 de maio de 2008

As coisas como são

Sede não é nada, imagem é tudo. Essa máxima da publicidade de refrigerantes traduz, por completo, a consciência contemporânea. A neurose narcísica, a idéia fixa com a própira imagem, atinge a todos de uma forma ou de outra, de várias maneiras e numa intensidade qualquer.

E falar em narcisismo não significa abreviar a discussão nas bruzudangas do culto à beleza. Não. É mais que isso. Algumas pessoas acham, sim, que é bonito ser feio. Por que não? Tem muito nível superior, que eu conheço, que "axa lindo xer axim".

Lidar com os comburentes (contra)valores modernos é tarefa, literalmente, inflamável. Meio-termo é uma palavra que - quase - já não se ouve falar. Numa sociedade que segrega a comunhão em esteriótipos, ou você se encontra na perigrinação em busca do padrão de qualidade novela das oito, num nível intelectual Fátima Bernardes; ou, provavelmente, deve estar perdendo seu tempo engajando-se na agremiação dos contra-cultura, catando justificativas originais para negação da realidade, na mais completa ineficiência do ode à feiura, ou qualquer outra bandeira do avesso do avesso. Sacos diversos, mas tudo farinha.

A paixão de Narciso, sendo mais preciso, era mais pelo seu reflexo do que pela própria imagem, convenhamos. Quantos dispõem quase que da sua totalidade de tempo e recursos para investir - exclusivamente - na construção do próprio reflexo externo, de como as pessoas o vêem, para bem ou para o mal? Um investimento, ainda que a curto prazo lucrativo, extremamente vicioso e ineficaz.

Vicioso, por motivos óbvios e desnecessários de teoremas. Quer-se sempre aparentar mais do que pode. Ou, pelo menos, apresentar uma nova roupagem daquilo que representa numa outra estação. Ineficaz, afinal a aparência não resiste a nada além da supercialidade. E o superficial é 'parea' do efêmero. Tudo que é bom dura pouco. Dura extamente o tempo suficiente de esgotamento do seu conteúdo.

Quantos discursos garantem sua imagem de intelectual? Quantas flashs são necessários para que se troque o melhor amigo de balada da última semana em nome da tua reputação? Quantas barreiras protegem sua insegurança de outros serem tão iguais? Que escambau devo decodificar ao interpretar tua imagem? Você tem fome de que? Tem sede de que?


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Blues da Piedade - Cazuza & Frejat - 1988

Vamos pedir piedade

Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem


4 comentários:

boo disse...

desapareço não. as chances ainda são menores por causa de e-mails e msn. passo o dia todo por conta deles... mais fácil me achar por lá! ;) hehehe

beijão ;*****

Nícholas Fernandes Gimenes disse...

putz eu fui EMO e ñ sabia :-P hahahah motivo a mais pra eu enterrar meu passado putz q merda :-P

Loredana disse...

"Não obedeça sua sede,
obedeça sua imagem."
Desrespeite seu quase-pensar,
desrespeite sua quase-atitude.
São os ditames capitalistas onde os "narcisistas" o são por vontade própria ou não.Procurando essa "tal ideologia...!" E nesse "meio termo" quenao mais existe esquece ou perde definitivamente sua idéia do que seria "o belo" ou "o feio" ...

Imagem "nao" é nada.Sede é tudo.
(NAO) obedeça sua sede. rá

Renata disse...

Amei o post!! Você, como sempre, se expressa bem demais...
Ando pensando tanto nessa superficialidade e em como fazer pra botar um filho no mundo longe dessa distorção toda...afe!!

beijos, Re