quinta-feira, 13 de março de 2008

Seja você, mesmo que seja...

Ontem à noite a conversa parou num assunto: tribos urbanas. As pessoas, em especial os adolescentes, adoram se amparar por elementos que lhes traduzam emocionalmente ou culturalmente. “Você pode ser gótico, ser punk ou skinhead”, pode tudo! Você, caro leitor, concerteza, assim como eu, deve conhecer algum bom exemplar de Patricinha, de Clubber, de nerd; ou alguma figura exótica emo, hip-hopper, surfista, skatista, batista. O que não falta são istas e tipos.

Essa idéia de tribos mostra o quanto a dinâmica social é engraçada: grandes consquistas históricas proporcionaram o reconhecimento e a elevação da figura do indivíduo ante a sociedade. Depois, o individualismo tomou proporções tão assustadoras, fazendo com que o ser humano – insatisfeito com esse isolamento – procurasse em outras pessoas, também descontentes, a afinidade necessária para poder desenvolver-se socialmente. Isto é, bruzudangas!

O fato é que fazer parte de uma tribo implica, necessariamente, seguir a risca um certo código de conduta e incorporar certos elementos estéticos: vocabulário, gosto musical, meia dúzia de frases feitas, algumas peças básicas no guarda-roupa e assim vai...

Isso tudo visto da perspectiva dum intervaldo para lanche da oitava série é uma coisa fenomenal. Agora, o lado ruim, pra variar, tá para quando o tema desenvolve-se no mundo de cá, do maiores de 20 e poucos. A coisa funciona diferente. A tribalização dos 'adultos' é muito mais perversa, porque geralmente enquanto os 'boys' [do paraibês: jovens, classe que compreende os gêneros 'os' boyzinhos e 'as' boyzinhas] tomam total partido da sua condição, os adultos, dificilmente, aceitam ou se auto-definem numa 'linha'.

Tudo bem, você vai me dizer que a beleza está justamente em todo dia poder ser o que lhe calhar. Realmente, não conheço discurso mais justo e irrepreensível do que este da liberdade emodemocrática [Desculpa, mas sou estudante de direito, sabe como é]. De fato, enquadrar-se é se auto-generalizar, o que limita a visão que as pessoas podem ter de você, indivíduo de carga única. Mas sem querer parecer incoerente, o que me encuca não é isso. Perversidade, que eu digo, é a atitude de homens e mulheres – a priori, bem resolvidos, de segregar, ter preconceito e serem completamente intolerantes com a diferença de outras tribos.
Tome como exemplo, as figurinhas pseudointelectuais. Tomar pra si a pencha de Cult, nenhum deles admite [ho ho ho], mas abrir mão da atitude blasé, isso jamaaais! Vai perguntar prum intelectual, o que ele achou da última eliminação do Big Brother, ou da última super-produção cinematográfica americana, pra ver se ele te responde. Pseudo não gosta de não-cults, direita não gosta de esquerda, cristãos e mulçumanos, heteros e sui generis, essas tribos de gente grande.

Por isso que vida boa é 'dos boy'. Onde emo é emomermo!; Patty é patty, e gosta mooooointo; nerd é nerd, e todo mundo brincando de índio.

7 comentários:

sieger disse...

O que eu acho estranho é que algumas tribos não se mesclam... seria interessante uma patricinha emo, ou um nerd punk...
Eu não sei em qual tribo me encaixo...

Helen disse...

Eu sou nerd, absoluta.

Mas isso de tribo não se misturar é verdade. Todo mundo sai perdendo. Pena que empatia seja um artigo em extinção...

Ana Fontes disse...

Adorei sua colocação!
É bem por aí mesmo!
Eu sou da tribo dos "gambás"! :)
Bjs!

Ice Ice Baby disse...

eu sou pseudo-reblede, pode ser?!


bom final de semana chuchu!

Ana Barros disse...

Não sei bem em que tribo me encaixo (se é que me encaixo em alguma). Bom, vou ali fazer uma terapiazinha pra esclarecer esta minha dúvida existencial e já volto (rs)
Bjos,

Marion disse...

Herber, eu não sei se faço arte de alguma tribo, mas acho que sou meio nerd, mas sou pop também. Enfim, não gosto de rótulos!

Obrigada pela visita ao meu blog! :)

Osimar Medeiros disse...

Cada tribo tem suas idiossincrasias. E ela termina onde começa o despeito, bem característico das tribos que ironicamente são mais sacaneadas.