sábado, 26 de julho de 2008

Bossa N'oca


Até o início dos anos 50 saudade não tinha fim na música popular brasileira, felicidade sim. O pierrô apaixonado que chorava pela colombina, o nome riscado do caderno, amores que partiam, outros que não iriam voltar, não! não! não! Queixavam-se às rosas, sendo que essas não falavam nem diziam nada a respeito do Brasil que tomava novos rumos naquela década. Nos 50 a nova capital do país foi construída, o Brasil botou nas telas o cinema novo e foi, pela primeira vez, campeão da Copa do mundo de futebol. Era preciso encontrar uma trilha para toda aquela bossa que começara a seduzir o mundo. Foi então, do início da parceria entre o músico Tom Jobim e o poeta Vinícius de Moraes (alternando fácil e sem muita questão os adjetivos) que toda essa saudade e melancolia foi posta de lado. Chega de saudade! o primogênito, sem traços de descendência, do novo estilo musical contemporâneo aos anos dourados pelo sol que se descobria nas areias da praia de Ipanema batizado como Bossa Nova. De lá pra cá, já são cinqüenta anos de banquinho, violão, e muitos, mas muitos murmurinhos, beijinhos e peixinhos no mar.


Ainda que natural das areias cariocas, as bodas de ouro da Bossa Nova estão sendo comemoradas (desde dois finais de semana atrás até o mês de setembro) em outras terrinhas. Em solo paulista, cláro (essa eterna função de correspondente da paulicéia!). E pra preparar essa comemoração não foi preciso de muito. Algumas carradas de areia e outras dúzias de pedras portuguesas e pronto!, estava montado o calçadão nas areias da praia de Copacabana no subsolo do espaço da Oca, no parque do Ibirapuera. Toda a história da Bossa Nova, 94 gravações raras em jukeboxes, três documentários inéditos e o mar carioca no teto do mu seo, na exposição Bossa Na Oca.

Foi preciso minimalizar a batida dos tamborins da bateria de uma escola de samba pra dar cara ao Brasil cosmopolita bom de drible e ginga que despontava há 50 anos. E assim, através de sambinhas de uma nota só, mesmo parecendo desafinado, anti-musical, nunca fomos tão bacanas.



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Samba de uma nota só - Tom Jobim - 1959

8 comentários:

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pcso lotto disse...

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Loredana disse...

No final da década de 50, inicio de 60, um movimento, jovens intelectuais e boêmios reunidos em suas casas cariocas para fazer samba de um jeito diferente. Samba e amor! rs
Hoje, genero musical originalmente brasileiro, mais famoso do mundo.Viva o Poetinha vagabundo.Viva a nossa Bossa, viva a nova Bossa.

Loredana disse...

Perfeito texto!
A Bossa Nova merece :D
Beijooo Grande Jurista!
(L)

ps.: quando eu crescer, quero fazer igual! rs

Lis disse...

Oi Heber! descobri teu blog no orkut e achei muito legal! O que andas fazendo da vida? já viajou?
Beijos,
Elisa

Natália disse...

Essa exposição está entre as melhores da revista Bravo! Tantas exposições ocorrendo pra banda daí, mas essa pelo o que eu descobri, casou-me mais curiosidade...
Aproveita! Dia de Terça, é grátis!

buááááááá!

thyago david. disse...

Era tão bom.